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“Vamos acabar legitimando crimes de todos os tipos”, afirma Antonio Di Pietro

“objetivo de desviar a atenção pública daqueles que cometeram os crimes para os que perseguiram os criminosos”, diz o ex-promotor

08/09/2019 08h59Atualizado há 2 meses
Por: Silvan Magalhães
Fonte: Folha
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Antonio Di Pietro - Foto: Andrea Torrente/Gazeta do Povo
Antonio Di Pietro - Foto: Andrea Torrente/Gazeta do Povo

Em sua entrevista à Folha, o ex-promotor italiano Antonio Di Pietro disse ver “uma grande ilegitimidade” na obtenção não autorizadas das conversas entre procuradores da Lava Jato.

“É uma operação criminal. Quando uma informação é obtida de forma criminal não deveria ser feito nenhum uso dela. Claro que, às vezes, por meio de uma informação, sabemos de coisas que nunca saberíamos.

Mas se tivéssemos que aceitar a equação de que deve ser permitida uma ação criminosa para descobrir fatos interessantes para a opinião pública, vamos acabar legitimando crimes de todos os tipos.”

O ex-promotor italiano Antonio Di Pietro, líder da operação Mãos Limpas, disse à Folha que os ataques à Lava Jato têm o “objetivo de desviar a atenção pública daqueles que cometeram os crimes para os que perseguiram os criminosos”.

“Fico muito triste de saber que, no Brasil, assim como na Itália, estão criando um movimento de desinformação para tentar tirar a atenção das pessoas e confundir as avaliações dos cidadãos.

Acusar um juiz de ter cometido abusos serve para tirar a atenção da opinião pública e deslegitimar a investigação. Quando é acusada de um crime, a pessoa tem que mostrar que não cometeu, não que não gosta do juiz. É muito sem-vergonhismo.”

Questionado se os juízes devem pensar nas consequências políticas de seus atos, o ex-promotor italiano Antonio Di Pietro, líder das Mãos Limpas, disse o seguinte:

“Não. É absurdo. O magistrado é como um coveiro, chega quando o crime já foi cometido. Na frente do cadáver, o magistrado não pode fazer de conta que não viu.”

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