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Sob suspeita, Horacio Cartes volta ser o homem-forte do Paraguai

Ex-presidente se torna avalista de Abdo Benítez na crise de Itaipu, enquanto sua ligação com doleiro é investigada

12/08/2019 10h10
Por: Silvan Magalhães
Fonte: O Globo
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Horacio Cartes e Mario Abdo Benites Foto: Terceiro / Agência O Globo
Horacio Cartes e Mario Abdo Benites Foto: Terceiro / Agência O Globo

Eles cresceram juntos, numa história de quatro décadas de amizade familiar. Enriqueceram na parceria em negócios questionáveis nas duas margens do Rio Paraná. Se destacaram entre os mais ricos na região da fronteira Brasil-Paraguai, com fortunas somadas que superam US$ 1 bilhão em ativos como bancos, casas de câmbio, indústrias de cigarros, refrigerantes, criação de cavalos, imóveis e até um time de futebol, informa O Globo.

Investigados no Brasil, Paraguai, Estados Unidos e Suíça por comandar uma rede global de lavagem de dinheiro, terminaram a semana separados por 1,7 mil quilômetros de distância, e em situações distintas: Dario Messer está no Rio recolhido na cela D de Bangu 8, como réu da Operação Lava-Jato, enquanto Horacio Cartes, que presidiu o Paraguai de 2013 a 2018, continua em Assunção, onde acaba de voltar à posição de homem-forte da política no seu país.

Há dias o Paraguai entrou em convulsão em razão da revelação de um acordo sigiloso com o Brasil sobre os preços da energia comprada à usina de Itaipu. Os paraguaios saíram às ruas em protesto. O presidente Mario Abdo Benítez e seu vice Hugo Velázquez foram acusados de “traição” à Pátria por um acordo que, em tese, favorecia o governo Jair Bolsonaro.

Ansioso por reduzir o custo da energia de Itaipu no mercado nacional, Bolsonaro pressionou por um acerto rápido com Abdo Benítez, a quem trata por “Marito”. O governo paraguaio aceitou um compromisso que, em tese, resultaria numa conta extra de US$ 250 milhões para os paraguaios ao longo dos próximos quatro anos.

Com manifestações nas ruas e pedidos de impeachment se acumulando, o vice Velázquez recorreu a um antigo aliado, Horacio Cartes, controlador de um terço dos votos do Partido Colorado no Congresso. O ex-presidente aceitou bloquear a votação do impeachment, e transformou o governo de Marito em seu refém político pelos próximos três anos, na percepção que prevalece em Assunção.

Fora do poder há um ano, Cartes volta à cena em grande estilo, como o principal avalista da sobrevivência do presidente Abdo Benítez, seu adversário dentro do Partido Colorado. Antes de se despedir de Velázquez, recebeu a notícia da prisão do amigo e sócio Dario Messer no Brasil.

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